quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

ININGA . de fazenda a bairro residencial e universitário



Bolsista - Gabriela Fernandes
Orientadora- Dra. Alcília Afonso (Kaki)


FIG 01. Ininga em Teresina. Imagem de satélite. Fonte: Google Earth. Edição: Gabriela Fernandes. 2012.



A pesquisa em questão está sendo realizada na área de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Piauí e tem como título “Ininga: de Fazenda a bairro residencial e universitário. A Formação urbana do bairro Ininga e sua relação com o Campus Universitário Ministro Petrônio Portela da UFPI”, e está inserido no eixo temático que trata sobre as questões voltadas para “Paisagem, paisagem urbano, contrastes sociais, história urbana e patrimônio cultural”.


O Bairro Ininga está localizado na zona leste de Teresina, em uma área de fortes contrastes urbanos, compostas por residências de padrão médio alto e de casas auto-construídas, que denotam a falta de planejamento urbano municipal para esta região. Tendo em vista a importância do bairro e a inexistência de estudos sobre este tema, a pesquisa em questão tem como objetivo, realizar uma investigação sobre a formação urbana do Ininga, pesquisando dados sobre as primeiras aglomerações no local que se deu por Fazendas e Cerâmicas e posteriormente a instalação do campus Ministro Petrônio Portella da UFPI, observando de que forma estas variantes se relacionaram e contribuíram para a evolução da paisagem urbana local,suas transformações, em seus diversos usos.



FIG 02. Delimitação do bairro Ininga. Imagem de satélite. Fonte: Google Earth. Edição: Gabriela Fernandes. 2011.




FAZENDAS E CERÂMICAS- Um passeio histórico pelas terras do Leste... 


                                                                fazendas, vivências, acesso, a vila...

     Uma visão geral feita a partir de entrevistas aos Srs. Joaquim Fortes e José Reis
                                                        (filhos dos fazendeiros Noé Fortes e Constantino Reis)

      Em 1949, a família Fortes adquiriu a baixo custo, o terreno da Ininga, às margens do Rio Poti e devido as condições propícias para a criação de gado decidiu transferir sua fazenda pra lá em 1952, anteriormente situada no Samiu. Na época, havia na região cerca de vinte famílias vivendo em condições precárias tanto em aspectos físicos quanto sociais. Em 1955, os Fortes doaram para a Prefeitura de Teresina, um pequeno terreno onde foi construída a ainda existente Unidade Escolar Noé Araújo Fortes, melhorando sensivelmente a qualidade de vida daquela comunidade.
   Em 1966, a Família Fortes juntamente com a família Freitas decide criar a Cerâmica Fortes, que atraiu contingentes de trabalhores para a área e também deu espaço aos moradores que lá havia anteriormente, a maioria desses operários era assalariada porém o trabalho não era oficializado perante entidades responsáveis. Em 1969, houve uma cisão na empresa, que resultou na criação da Cerâmica Livramento, pertencente aos Freitas, atualmente localizada em Timon (MA) e na permanência da Cerâmica Fortes que posteriormente  também foi transferida para Timon.

FIG 03.Desenho da Fazenda Ininga. Autoria: Daniele Área Leão.

    A transferência das cerâmicas deve-se ao fato de que o acesso ao Ininga na época era bastante complicado, não havia vias asfálticas e o fluxo viário se tornava a cada dia mais complicado para aquela indústria que tinha que escoar diariamente sua produção até a BR principal, na época, a av. João XXIII, já o acesso de alguns moradores se dava pela seguinte forma segundo consta o depoimento:

“A gente tinha acesso a essa área da Ininga vindo pela ponte da Frei Serafim (Ponte Juscelino Kubstichek), a gente atravessava a ponte, passava pelo Bairro de Fátima até chegar no Ininga ou então quando era tempo de seca dava passagem pelo bairro Porenquanto, inclusive as vezes passávamos de carro. E o chão era branco, uma areia branca igual aquela que o Luíz Gonzaga rimou:  As areias brancas da terra de Nazaré!”¹   .           
 
Proprietários de um vasto contingente territorial, os Fortes venderam ao Governador Alberto Silva, 20 de seus 360 hectares de terra, espaço este que foi doado pelo então governador para a instalação da Universidade Federal do Piauí. Algum tempo depois, a UFPI tentou em vão adquirir mais dos seus terrenos. Atualmente os Fortes não possuem mais terras naquela área, pois lotearam e venderam tudo a baixo custo já que na época aquela região não era tão valorizada quanto hoje.
                                       
         Havia também no Bairro Ininga outras fazendas como a Fazenda do seu Agostinho Belin e a fazenda da família Ubirajara, mas ainda não houve um levantamento mais aprofundado sobre sua história, o mesmo deverá ser executado ainda durante o processo de desenvolvimento da pesquisa.

RETRATO DA VILA

FIG 04. Fotografia de casa na Vila Ininga. Autoria: Alcília Afonso.

A Vila Ininga está localizada na zona leste de Teresina, em uma área de fortes contrastes urbanos, compostas por residências de padrão médio alto e de casas auto-construídas, que denotam a falta de planejamento urbano municipal para esta região.

A área em estudo fazia parte das terras da Fazenda Ininga (Fig. 02), que deu origem ao nome do da Vila.  Em 1978, foi criada no local, uma cerâmica administrada pelas Famílias Fortes e Freitas nas terras pertencentes ao Sr. Noé Fortes. Muitas famílias se instalaram na região para trabalharem na produção cerâmica, consolidando-se na área e dando origem às primeiras comunidades.
Quanto à infra-estrutura do bairro, observou-se que a maioria das ruas não é pavimentada, sendo estas em terra, sem iluminação pública apropriada. O abastecimento de água é realizado pela AGESPISA, mas o local não possui rede de esgoto, observando-se ainda que não existe coleta de lixo. Tal quadro é propicio para a proliferação de doenças, como a dengue, o calazar, entre outras enfermidades tropicais.
  
FIG 05. Fotografia de casas na Vila Ininga. Autoria: Alcília Afonso.

FIG 06. Fotografia de rua na Vila Ininga. Autoria: Alcília Afonso.

A UFPI

Uma estreita relação com o Bairro Ininga, uma  relação econômica com a Zona Leste e um relacionamento político com Teresina. 

FIG 07. Fotografia da entrada da UFPI. Autoria desconhecida.

                                      a implantação, o projeto, a equipe técnica, o urbanismo...

     Uma visão geral feita a partir de uma entrevista ao arquiteto Ronaldo Pinto Marques

                                                           (membro da primeira equipe técnica da Instituição)


A zona Leste de Teresina está profundamente ligada à Universidade Federal, existia na época do Governador Elvídio Nunes umas cinco Faculdades isoladas, a Faculdade de Direito na praça doo Fripisa, a Faculdade de Odontologia, que na época era particular, onde hoje é o Verdão, existia a Faculdade de Medicina, que era estadual, existia também a FAFI (Faculdade de  Filosofia), que era da Cuia metropolitana e em Parnaíba tinha sido recém criada a Faculdade de Administração e então a fusão dessas Faculdades geraria a Universidade Federal do Piauí, mas a política local era uma política muito difícil e todos os grandes grupos queriam dominar a Universidade, então a criação real da instituição ocorreu no papel na época do Elvídio.
         Na época do Alberto Silva, já que a Universidade não conseguia se criar realmente e não existia fisicamente, Alberto Silva então recorreu ao Ministério da Educação pedindo que o mesmo arranjasse uma maneira de implantar a Universidade, o Ministério então recorreu à Universidade de Brasília (UnB) que na época era considerada a mais moderna do país. Foi criado um grupo na UnB para vir para o Piauí implantar a Universidade, por trás desse grupo fica o Centro de Planejamento da UnB (CEPLAN) do qual o Niemeyer foi membro, durante a Revolução quase todos os professores foram demitidos da Universidade e então o arquiteto professor Ronaldo Pinto Marques, que estava começando seu mestrado teve a oportunidade de vir para Teresina juntamente a outros professores do Centro de Tecnologia da UNB chefiados pelo professor Vasco de Melo.

“O Alberto Silva junto com o arquiteto Raimundo Dias fez um sobrevôo na zona leste e nesse sobrevôo eles escolheram aquele local para ser a Universidade e nós não participamos dessa escolha, nós ganhamos aquele terreno e ele implicou numa implantação da universidade totalmente diferente do que foi planejado porque o terreno não foi 100% desapropriado, foi desapropriada uma pequenina faixa de terra que nós chamávamos de Serviços gerais (SG’s), aqueles prédios mais antigos, lá de cima eram dez prédios iniciais e nesses prédios eram previstos para funcionar como prédios de serviços gerais, ou seja, canais, manutenção, os diversos depósitos que o Ministério exigia, mas infelizmente o terreno da Universidade propriamente dito, onde hoje estão o CT e o CCHL só foram adquiridos depois, então a solução encontrada foi adaptar rapidamente esses prédios de serviços gerais para salas de aula e nós (eu e Lourival) tivemos seis meses pra  fazer essa readaptação.”²

Fig. 8- Foto (editada) - 1º estudo topográfico realizado no terreno  (data desconhecida), observa-se e existência de vias que sofreram inúmeras alterações e a primeira representação gráfica dos SG's. Fonte: Prefeitura Universitária, 2011.

Havia uma dificuldade muito grande de se chegar ao canteiro de obras da Universidade, não existia estrada, o que existia era a pista da Nossa Senhora de Fátima que ia até o Colégio dos Padres, ali havia uma praça, então as pessoas vinham, contornavam a praça e voltavam, não existia prolongamento da Nossa Senhora de Fátiima, onde hoje fica a Faculdade Camilo Filho era o Jóquei Clube, atrás do supermercado Pão de açúcar estava em construção a Sede Campestre do Clube dos Diários e não existia quase nada na Zona Leste da cidade.
         A cidade não podia crescer pro Norte, então tinha que crescer pra zona sul, mas como o Alberto Silva escolheu essa região pra ser a universidade, aquela curva do rio poty, começou a despertar nas pessoas mais futuristas, com um senso comercial mais aguçado, a iniciativa de  adquirir estes lotes de terreno, a prefeitura então solicitou da universidade, a seguinte  troca: A equipe técnica da UFPI faria um reestudo, um segundo Plano Diretor, o plano piloto da cidade de Teresina, e em troca a prefeitura abriria a Avenida Nossa Senhora de Fátima até a Universidade e isso foi feito na época do prefeito Joel Ribeiro.

 “A prefeitura então recorreu a nós da universidade, nós então fizemos um esquema de planejamento de como a cidade ia crescer. Pra nós chegarmos onde hoje é a Universidade, junto à ponte, nós pegávamos a estrada do fio Telegráfico (estrada do fio/carroçável), essa estrada era usada pelo pessoal da Cerâmica que ficava por trás da Universidade, pelo pessoal das várias granjas que existiam. Pra manter os fios telegráficos funcionanado, os correios desmataram e deixaram aquilo ali aberto.”²
Onde fica o CCHL era a fazenda do Constantino e ao lado havia um cemitério onde os corpos dos trabalhadores da Cerâmica eram enterrados assim como o pessoal da  Fazenda do Constantino, quando os tratores passavam no CCHL as ossadas eram aos montes. A primeira parte a ser desapropriada foi o terreno das SG’s que pertencia ao Constantino, era prevista a transformação da Rua Bahia e foi proposta a criação da Avenida Universitária, antiga Av. Ininga, que seria diretamente ligada à Av. Kennedy. Em todo o trajeto da Avenida Universitária haveria um canteiro central, porém, um grupo de italianos adquiriu terreno ali e começou a construir naquela área impossibilitando a criação da larga avenida.

 Fig. 9 - Seria criada uma larga avenida (em vermelho) com canteiro Central que daria acesso direto à Av. Homero Castelo Branco porém um grupo de italianos adquiriu terreno ali (em azul) e começou a construir naquela área impossibilitando a criação da larga avenida. Fonte: Google Maps, 2011.


Este foi o grande problema da Zona Leste, a implantação da Universidade gerou um boom imobiliário, então a abertura dessa avenida fez com que as pessoas comprassem lotes e lotes ali a um preço extremamente baixo atrapalhando o plano urbanístico da zona leste, por isso hoje há naquela área, uma diversidade muito grande no desenho dos quarteirões, das ruas e em seus dimensionamentos. Há ruas largas que quando ultrapassam outra rua ficam mais estreitas, ruas que não seguem mais na mesma direção e tudo isso foi gerado por esse problema de implantação na zona porque as pessoas compravam lotes de terras, registravam na prefeitura e quando iam locar o terreno, um locava por cima de outro então havia constantes desentendimentos devido a essa invasão de espaço.
  
 Fig. 10 - Nesta imagem observa-se o contraste existente entre a morfologia desorganizada dos quarteirões da Zona Leste devido à grande especulação ocorrida durante a implantação da UFPI e o desenho urbano do Centro, com seu traçado em ângulos retos. Fonte: Google Maps, 2011.


 “Teresina ainda era uma cidade tão subdesenvolvida que a estrutura metálica era projetada aqui e executava em Fortaleza. Era impossível passar por dentro de Teresina diariamente ônibus interestaduais e caminhões de carga e tudo isso passava pela Av. João XXIII, que antigamente era uma pista estreita, com 6m de largura, 1,5m de acostamento em cada lado e a Ponte também era bem estreita. O fluxo seguia da João XXIII, depois ia pra Ponte Metálica, de lá pra cidade de Timon e daí escoava para outras cidades. Nessa época a cidade não era muito desenvolvida mas o trânsito atrapalhava muito, assim como hoje qualquer desastre  paralisa a região da Frei Serafim, imagine antigamente. Então sugerimos, foi aceito e foi feito esse desvio rodoviário e a cidade passou a crescer também pra região sudeste.”²

             Depois da criação dos SG’s na Universidade, foi criado o Setor de Esportes que era uma antiga ilha fluvial do Rio Poti. Antigamente, com as enchentes toda aquela área alagava e a parte do balão da Raul Lopes com a Av. Universitária foi aterrada criando-se assim um grande lago artificial que ainda hoje existe na Universidade. Era previsto que esse lago funcionasse como um ponto de atratividade  (a água do rio passava por lá e entrava na universidade).


“ A segunda área a ser construída foi o Setor de Esportes, eu fiquei uns dez a quinze dias preso em Brasília e o Alberto nos garantiu a desapropriação daquele trecho de terra e a universidade tinha recursos, pra não gastar tais recursos, ele devolveu esse dinheiro. Então Hélcio Saraiva através de um memorando mandou que eu licitasse as obras e começasse sua execução e eu como diretor de projeto de obras providenciei a licitação e a construção aí veio uma auditoria do MEC e me levou preso, então o Camilo que foi reitor na época e era o chefe da assessoria jurídica foi a Brasília e nós mostramos para o MEC que realmente houve um descompasso entre o recebimento da documentação de desocupação e o início das obras, mas que o ministério não perdeu dinheiro, pois não houve nenhum problema mais sério e ele iniciou essa construção sem ter a posse de terra, o que é proibido por lei.”²

 Fig. 11- Plano Diretor atual da UFPI. Fonte: Prefeitura Universitária, 2011.  


                  O projeto inicial da UFPI era completamente diferente, quando a equipe estava em Brasília havia pensado em prédios de dois ou três andares dependendo do tamanho do terreno e a construção teria abóbadas similares às do Troca-troca. Nesse projeto a Universidade seria disposta na forma de um grande círculo com uma ramificação radial influenciada diretamente pela logomarca da Instituição, porém como não houve uma prévia desapropriação desse terreno a ideia foi abandonada então passou pra um círculo com duas ramificações que também foi abandonada. Havia também a ideia de fundir o Campus da Socopo(Colégio Agrícola) àquela área numa grande área de preservação ambiental.

FIG 12. Vista aérea da Universidade Federal do Piauí. Autoria: Aureliano Chaves, 2010.

        “Em terceiro lugar foram construídos o CCHL e o CCE. O que acontece é que a implantação da Universidade se deu de uma forma completamente diferente do que foi planejado, a começar pelos serviços gerais, você imagine que não havia nenhum professor titulado pra dar aula no segundo grau, a aberração era tão grande que tinha professor de educação física dando aula de física então nós tivemos que criar o CCE para capacitar os professores, acontece que geralmente em outras universidades o CCE não é nem um centro e sim um departamento.
  
Fig. 13 - A implantação da Universidade por etapas devido a desapropriação parcelada: 1- Espaço Cultural Noé Mendes; 2- SG's; 3- Setor Esportivo; 4- CCHL/CCE e Espaço Comunitário. Fonte: Google Earth, 2011.


ENTÃO...


Tendo em vista o que foi apresentado, podemos ter uma ideia da importância dos estudos da história urbana do Ininga para que possamos conhecer e avaliar sua trajetória e assim entender sua atual configuração morfológica, social, econômica e compreender sua paisagem já que esta pode ser lida como um testemunho da história dos grupos humanos que ocupam determinado espaço.
Inicialmente, havia no bairro apenas uma quantidade pequena de moradores. A chegada de Fazendas (como a Fazenda Ininga) e posteriormente de Cerâmicas atraiu contingentes de trabalhadores que viam naquela área boas possibilidades de vida e se agruparam em vilas ainda hoje existentes, como por exemplo, a Vila Ininga, que existe em condições extremamente precárias em diversos âmbitos como moradia, saneamento básico, pavimentação e que possui uma paisagem urbana pobre, crônica, evidenciada pela miséria e pelo descaso público.

FIG.  14- Contraste urbano entre residências localizadas no Bairro Ininga. Autoria: Shiduo Nagano (esq.) e Luzia Lisboa (dir.), DCCA/CT/UFPI.  Agosto 2011.

FIG.  15- Retrato da atual situação da Vila Ininga. Autoria: Alcília Afonso. Agosto 2011.

Alguns anos depois da instalação das fazendas e cerâmicas, o então Governador Alberto Tavares Silva comprou alguns hectares de terrenos oriundos de diversas fazendas e doou-os à FUFPI(Fundação Universidade Federal do Piauí) que ainda não dispunha de um espaço físico unificado. A implantação da UFPI na cidade foi tão importante que chegou a causar uma dantesca especulação imobiliária na Zona Leste que perdura até hoje e que resultou na desordem do seu traçado urbano devido ao descaso da Prefeitura junto às imobiliárias e também à falta de planejamento adequado. Essa especulação acarretou posteriormente problemas ligados à paisagem urbana e aos seus usos, marcados por contrastes entre moradias autóctones oriundas das primeiras aglomerações que compunham as vilas e residências de padrão médio alto que deu à área um caráter de elite.
Por todos esses aspectos apresentados, e afim de relacionar as variantes fazendas, cerâmicas, vilas e a Universidade Federal do Piauí, podemos concluir que devido a todo um processo histórico, social e econômico, há divergências quanto à forma como interagem na contemporaneidade, tanto pelo descaso às comunidades carentes das vilas quanto pelas  diferenças sociais existentes entre estas e as residências de alto padrão que acabam por compor uma paisagem contrastante e segregatícia evidenciada de um lado por ruas insalubres e crianças descalças e por outro, por muros altíssimos e sistemas de segurança reforçados.

RESULTADOS e ATIVIDADES

O Bairro Ininga também foi analisado em conjunto com outras atividades acadêmicas como:

-PROJETO DE EXTENSÃO

“Vila Ininga: projeto urbano de recuperação de área degradada e inclusão social em Teresina”.
eixo temático que trata sobre as questões voltadas para Infra- estrutura, ambiente e moradia

A proposta pretende desenvolveu um trabalho de assistência técnica a uma comunidade, conhecida como Vila Ininga, situada na zona leste da cidade de Teresina, capital do Estado do Piauí, e buscou recuperar uma zona degradada urbana, através de soluções inovadoras de habitação de interesse social e que, paralelamente, possibilite a inclusão social desta comunidade que vive na área a mais de cinquenta anos, de forma marginal.

Figura 16: Fotos da Vila Ininga
Fonte: Fotografia de Alcilia Afonso. Abril de 2011.



-DICIPLINA: LEITURAS DA ARQUITETURA E DA CIDADE
PROFª Kaki Afonso

Análise de tipologias habitacionais de padrão baixo na Vila Ininga

FIG. 17: Leitura arquitetônica de residência da Vila Ininga. Autoria: André Machado, Shiduo Nagano e Alexandre Pajeú

FIG. 18: Leitura arquitetônica de residência da Vila Ininga. Autoria: Dennys Patrick, Juliana Mara e Yandra Oliveira.

FIG. 19: Análise de conforto ambiental em residência da Vila Ininga: Autoria: Loraynne Lima.

- DISCIPLINA: PROJETO 6

Figura 20: Diagnóstico de espaços e usos da Vila Ininga.
Fonte: Disciplina: Projetos arquitetonicos 6.DCCA/CT/UFPI.Agosto de 2011


Em projeto 6, foi proposta a criação de diversos equipamentos urbanos como centros sociais compostos por um vasto programas de necessidades, um residencial que acolheria as famílias carentes entre outros.

Figura 21: Centro Social Urbano
Fonte: Autoria Bruna Araújo,Luzia Lisboa e Philipy Rodson. GAU/ DCCA/CT/UFPI.Agosto de 2011


Figura 22: Residencial em terreno da Vila Ininga para o programa Minha Casa Minha Vida.
Fonte: Autoria Bruno Andrade. Projeto de TFG2. GAU/ DCCA/CT/UFPI.Agosto de 2011

- TROTE SOLIDÁRIO DE ARQUITETURA 2012.1 

FIG. 21: Fotografia de intervenção na Vila Ininga feita por alunos recém chegados no curso de arquitetura e urbanismo da UFPI. Organização: CAAU/UFPI. Autoria: Gabriela Fernandes.

ALGUNS ENTREVISTADOS
  
*¹ - José Reis Pereira (São João do Piauí, 10 de dezembro de 1943) é um político brasileiro. Filho de Constantino Pereira de Sousa e Azenete de Carvalho Reis e Sousa, é licenciado em Letras com Mestrado em Língua Portuguesa. Professor da Universidade Federal do Piauí, foi eleito deputado estadual pelo PMDB em 1986. Ao longo do mandato filiou-se ao PSDB e depois foi Secretário Municipal de Educação em Teresina e presidente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves.  

*² - Ronaldo Pinto Marques (Manaus)- Possui graduação em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de Brasília (1967). Atualmente é professor auxiliar do Instituto Camillo Filho. Tem experiência na área de Arquitetura e Urbanismo, com ênfase em Planejamento de Campi Universitários e Desenho Projetivo.


João Alberto Cardoso Monteiro- Arquiteto e urbanista na cidade de Teresina. Atua como arquiteto no escritório 490 Arquitetura, é secretário de planejamento da Prefeitura de Teresina e Professor na área de urbanismo no Instituto Camilo Filho.












Nota da bolsista: Aqui foi apresentado parte do trabalho que estamos desenvolvendo em nossa pesquisa e ainda há muito a ser descoberto. Talvez, no desenrolar dos estudos haja algumas modificações nas informações expostas e também, adições até porque o trabalho ainda não está concluído e ainda é preciso levantar muitos dados. Agradeço aos entrevistados que disponibilizaram seu tempo e abriram suas portas. Caso queiram saber mais sobre a pesquisa ou ter acesso a mais informações referentes a esta pesquisa e a arquitetura piauiense basta visitar nosso acervo de trabalhos no Centro de Tecnologia da UFPI.

                                                                         Gabriela Fernandes

BIBLIOGRAFIA CITADA E CONSULTADA (parte)
AFONSO, Alcília. Revolução na arquitetura: Recife, Década de Trinta. Teresina: EDUFPI, 2001.
BENEVOLO, Leonardo. A história da cidade. São Paulo: editora perspectiva, 2005.
CULLEN, Gordon. Paisagem Urbana. Lisboa: Edições 70, 1983.
DIAS, Cid de Castro. Piauí: Projetos Estruturantes. Teresina: Alínea Publicações Editora, 2006.
SERRA, Geraldo. O espaço natural e a forma urbana. São Paulo: Nobel, 1936.
SOUZA, Maria Adélia de. Governo Urbano. São Paulo: Nobel, 1988.
Teresina em bairros. Teresina: Prefeitura municipal de Teresina. 1994.
Teresina Agenda 21/ Plano de desenvolvimento sustentável.  Prefeitura Municipal de Teresina. Teresina, 2002.



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Mas as paisagens nunca têm um único significado; sempre há a possibilidade de diferentes leituras. Nem a produção, nem a leitura de paisagens são inocentes. Ambas são políticas no sentido mais amplo do termo, uma vez que estão inextricavelmente ligadas aos interesses materiais das várias classes e posições de poder dentro da sociedade. James DUNCAN, The City as Text, 1990.